Carta ou Manuscrito?

 No artigo hoje, vou falar sobre um dos livros mais perturbadores que já li na vida, o Thriller Verity, de Colleen Hoover. 



Sinopse:

A história é contada pelo ponto de vista de Lowen, uma escritora que acaba de ser contratada por uma editora para terminar a série de livros de uma outra escritora, Verity Crawford, que se encontra inválida após um acidente de carro. Quando assume essa responsabilidade, Lowen se muda para a casa onde Verity vive com seu filho Crew e sob os cuidados de seu marido, Jeremy. Lowen vai para lá com o intuito de analisar as antigas obras de Verity e realizar uma pesquisa, porém, no escritório da autora, ela se depara com um manuscrito, que continha uma autobiografia de Verity. Lowen então começa a lê-lo e descobrir segredos extremamente sombrios sobre a família Crawford e as tragédias que os cercam.

Pontos fortes e fracos

O livro tem uma narrativa extremamente interessante do início ao fim, prende o leitor pelo suspense e cumpre muito bem seu papel como thriller, pois a agonia é garantida em absolutamente todos os capítulos. 

Os personagens são muito bem desenvolvidos e seu fechamento, apesar de ser um final aberto, é muito bem feito, sem deixar nenhum furo ou ponta solta, apenas espaço para teorias. 

A única coisa que achei um pouco maçante e desnecessário é a quantidade de cenas eróticas. Acho que algumas não acrescentam em nada na narrativa, entretanto, algumas colaboram com o desenvolvimento da história, pois entre elas acontecem diálogos importantes entre os protagonistas Jeremy e Verity.

Carta ou Manuscrito? 

Uma das maiores dúvidas que permeiam na mente de quem acaba de ler a obra de Colleen Hoover é qual das duas versões contém a verdade, a carta ou o manuscrito. Esse triplex alugado na cabeça de nós leitores nos permite criar diversas teorias. Neste post, irei apresentar quais motivos tenho para acreditar na carta e quais motivos tenho para acreditar no manuscrito, e no final apresentar a minha teoria. 

Se você ainda não terminou de ler Verity, termine antes de ler este artigo, pois teremos spoilers a frente. 


Manuscrito 

Vou começar a expor meu ponto de vista pelo que eu acho que tem menor veracidade; o manuscrito. 

O primeiro argumento de quem acredita no manuscrito é que Verity não escreveria coisas tão horríveis sobre suas filhas se não fosse verdade, que ninguém teria um grau de perturbação tão grande. Mas devemos lembrar que escritores são perfeitamente capazes de manipular a verdade sob diversos ângulos, embora seja bizarro o que ela escreve, principalmente sobre Harper, Colleen Hoover escreveu tanto o manuscrito quanto a carta sem ter vivenciado nenhuma dessas experiencias. 

Entretanto, existem alguns elementos que poderiam comprovar a veracidade do manuscrito; o primeiro deles é a cicatriz da Chastin. Apesar do médico ter uma explicação plausível para o ocorrido, Verity não fala nada sobre isso na carta, o que abre um questionamento para o fato do manuscrito ser verdadeiro, ou para uma possibilidade de Verity realmente não querer ser mãe, mas depois ter passado a amar as meninas. 

Outro ponto que trás credibilidade ao manuscrito é a descrição da discussão entre Verity e Jeremy na noite em que ele a indaga sobre porque ela fala muito sobre Chastin e pouco sobre Harper. Se algum dos diálogos postos no manuscrito não fossem reais, Jeremy não teria acreditado que sua esposa era responsável pela morte de Harper. Isso mostra que ela realmente tinha um favoritismo por  Chastin, embora não sabermos o quanto ela realmente tinha aversão ou menos favoritismo por Harper. 



Carta

Confesso que ao terminar de ler o livro, eu acreditava fielmente no manuscrito, e achava que a carta poderia ser uma desculpa esfarrapada da Verity pra se safar com a Lowen, no entanto, após ler o capítulo extra, minha visão mudou completamente. 

No capítulo extra, fica evidente que Jeremy não possui represálias quando o assunto é matar, visto o que ele fez com a Patrícia pelo simples fato de ela saber que ele e Lowen estavam juntos. 

Esse capítulo também abre a possibilidade para uma teoria na qual Jeremy seria um stalker e assassino em série, que escolhe suas vítimas através dos livros que lê, persegue elas avidamente, e dá um jeito de trazê-las para sua vida. O que dá combustível a essa teoria é o trecho em que Jeremy está lendo um livro de uma outra autora totalmente concentrado, assim como fazia com os livros de Lowen quando ainda estava casado com Verity.  Lowen percebe a situação e se sente insegura, pois começa a reconhecer um padrão de repetição em Jeremy. 

A carta só ganha mais veracidade, quando lembramos que Jeremy já havia lido o manuscrito antes, mas fingiu não saber de nada quando Lowen o alertou sobre isso. 

Outro fato estranho sobre o Jeremy, é que tanto quando ele conheceu Verity, quanto quando ele conheceu Lowen, parecia que ele já sabia exatamente onde encontra-las. Isso ainda mais evidente com a Lowen, já que seu primeiro contato foi quando ela estava indo para uma reunião com a editora de Verity, que por acaso, foi por indicação de Jeremy. 



Conclusão...

Analisando o livro e lendo o Capítulo Extra, fica evidente que Jeremy tem a mesma vibe do Joe do You, ou seja, um stalker psicopata. 

Verity também claramente apresenta instabilidade emocional, visto que, ela tinha muitos problemas com sua família. Talvez, além de ser um exercício de escrita, o manuscrito também era um desabafo de seus sentimentos mais íntimos e sombrios. Talvez Verity não tenha feito as coisas horríveis relatadas ali, mas acredito que o ciúme das filhas e a obsessão por Jeremy existiam em algum lugar no fundo de seu peito. 

Lowen é hipócrita e paranóica, visto que passa o livro todo criticando a Verity e se sentindo horrorizada pelo conteúdo do manuscrito, mas no final torna-se como ela, competindo com Verity em todos os aspectos e se tornando obcecada por Jeremy a ponto de encobrir seus crimes. Ela se apaixonou por Jeremy por causa das palavras de Verity, não por quem ele realmente era, e na minha visão, até mesmo seu jeito de cuidar bem de sua filha era uma maneira de mostrar que ela era melhor do que Verity, e não porque ela realmente amava sua filha. 

Resumo da ópera: NINGUÉM É CONFIÁVEL!

E pra terminar esse artigo, irei rankear as cenas mais apavorantes de Verity na minha opinião.  

1 - Cena do Lago



Pra mim, uma das coisas mais apavorantes em livros, filmes e séries de terror são as casas afastadas no meio do mato e perto de lagos. E isso se torna especialmente perturbador ao imaginar a agonia de Harper se afogando enquanto Verity comemorava a morte da filha secretamente. 


2 - Quando Crew coloca Nova pra fora de casa. 



Mais assustador do que um adulto psicopata sem dúvida é uma criança psicopata...

3 - Cena do cabide


É inconcebível pensar que alguém tentou matar as próprias filhas e colocou a própria integridade física em risco por CIÚME. Até o diabo teria medo.

4 - Quando Crew morde a faca

Essa criança realmente me assusta... Não é a toa que  Colleen vai escrever um livro sobre ele. 

Menção honrosa pra quando ele fala: "a mamãe falou que não é pra eu mexer na faca dela." Nessa cena não passava nem ar. 

5 - Cena da escada


A grande maioria dos leitores coloca essa em primeiro lugar, eu particularmente achei bem feito pra Lowen, quem fica com homem casado tem que se lascar HAHAHAHAHA, entretanto, foi o melhor Jumpscare literário que eu já vi, portanto, merece um lugar nesse ranking. 


Minha nota geral para o livro é 9,5/10. Se você gosta de um bom terror psicológico, Verity com certeza é um livro pra você. Apenas leia, aproveite, crie suas teorias, que na minha opinião é a melhor parte de qualquer livro de suspense e 'Que Assim Seja'.





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